Copa do Mundo não chega a todo o país

11 Jul

FOTO: Marcos Limonti

Por Rodolfo Tiengo
 
A Copa do Mundo 2010 acaba neste domingo, com o jogo entre Espanha e Holanda, no Soccer City, em Joanesburgo. Mas, em vez do clima de agitação das grandes cidades do Mundial da Fifa, tem um outro lado da África do Sul. Durante as andanças da equipe do GCN Comunicação pelo interior do país, houve contato com uma atmosfera bem distante do som das vuvuzelas, dos parques movimentados, dos estádios novos, dos comerciantes vendendo seus produtos para as multidões de torcedores.

Espalhada por toda a África do Sul está uma infinidade de pequenas comunidades rurais, onde as grandes obras não existiram e a influência do evento esportivo que se finda neste domingo é menor ou inexistente. É como se a Copa tivesse acontecido em outra nação.

Uma pequena localidade em Eastern Cape, na rota entre a Cidade do Cabo e Port Elizabeth, ratifica essa assertiva. A apenas dez quilômetros de Swellendam, pacata cidade que é tida como o terceiro ponto mais antigo de colonização europeia da África do Sul, existe uma comunidade rural muito simples. O nome original, Buffelsjagrivier, é bem complicado de dizer para os que não dominam o africâner, língua mais falada nessa região.

Apesar da dificuldade na comunicação, já que falar inglês nesse local é raro, a reportagem teve contato com os moradores. Em uma pequena propriedade, um mini-cluster (aglomerado de casas) com sete residências, encontramos 50 moradores. Na frente da residência principal, que é de concreto e é a única ali com energia elétrica e televisão, havia um grupo de pessoas, todos negros, se aquecendo perto de uma fogueira. Eram membros da mesma família. Mais ao fundo, mais gente combatendo o frio com fogo e lenha, em frente às residências de zinco, que não contam com eletricidade. Um dos moradores preparava seu jantar, que era frango com purê de batata.

O endereço não tem uma vida econômica própria. A escola básica e o supermercado para completar a dispensa – já que eles não têm terra para cultivar nada – estão em Swellendam. É lá que fica a escola em que Garlan, 8, filho da sul-africana Anne, 35, desempregada, estuda e joga bola. Segundo a entrevistada, que ainda tem mais uma criança de 3 anos, aquele dia era aniversário do menino que acompanhou toda a Copa pela TV e apontava a Espanha como favorita ao título. E a festa de aniversário? “Não tenho dinheiro para hoje, talvez na semana que vem”, respondeu.

Demonstrando nenhum interesse pela Copa e até palpitando equivocadamente que o Brasil ia ganhar – o time foi eliminado nas quartas -, Anne sentenciou o que representou o Mundial. “Não vi a Copa. Nada mudou aqui, talvez em outros lugares”, complementou.

No dia seguinte, a reportagem voltou à mesma casa e encontrou um grupo de crianças jogando futebol em um gramado cercado por valetas de esgoto, enquanto as mães lavavam roupa e limpavam as casas.

O ÍDOLO
Nem Kaká, nem David Villa. Quem as crianças idolatravam na pelada era um sul-africano. “Tshabalala”, gritou uma criança antes de chutar ao gol, como se fosse narrar a jogada, enfatizando um dos jogadores dos Bafana. Toda vez que a bola, murcha, caía no esgoto, as crianças a pegavam com a mão. A nossa presença, bem vinda, chamou atenção, assim como o GPS dentro do carro, que para eles era tido com uma TV. Andando um pouco mais para dentro dessas comunidades e trafegando por estradas de terra, tudo que a reportagem constatou eram grandes fazendas com imensas plantações e descampados com criações de avestruzes, vacas e ovelhas.

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Para comer à vontade

9 Jul

Rodolfo Tiengo

Direto da Cidade do cabo

Na primeira vez em que estivemos na Cidade do Cabo, perdemos a oportunidade. Mas após cruzar a África do Sul, dirigindo desde Gauteng até Eastern Cape, não havia como perder a chance de jantar no famoso restaurante Moyo. Enquanto rolava nos telões a vitória da Espanha sobre a Alemanha, pelas semifinais da Copa, provávamos as diferentes iguarias oferecidas pela casa.

Arroz, feijão (não igual ao nosso) e folhas verdes ganham temperos inimagináveis com participação de castanhas, pimenta, entre outros itens. Até o pão servido à mesa tem um gosto especial de ervas. Localizado na vinícola Spier (www.spier.co.za), na colônia européia Stellenbosch – a 50 quilômetros da Cidade do Cabo -, mas também com restaurantes da marca em Joanesburgo e Durban, o lugar consegue proporcionar aos visitantes uma atmosfera sofisticada que agrega um pouco do estilo de vida nômade africano e um cardápio repleto de delícias que te fazem sair de lá mais do que satisfeito.

Ponto de encontro de muitos torcedores que fazem turismo na Cidade do Cabo durante o mundial da Fifa, o Moyo requer dos visitantes reserva antecipada, bem como uma fome daquelas. Se a gula é um pecado capital, no restaurante sul-africano errado mesmo é rejeitar comida. Ir até lá só se for para comer à vontade, quantas vezes a fome permitir, pagando 295 randes por pessoa, o que seria equivalente a R$ 70. O “caro” (entre aspas porque nem é tanto assim em comparação à moeda brasileira) é o que está listado na carta de vinhos. Uma garrafa aqui custa, em média, 200 randes – em outros restaurantes mais comuns geralmente cobra-se a partir de 60 randes por garrafa.

Quem chega logo é convidado a pintar o rosto com arranjos tribais em tinta branca. Em seguida, adentra um enorme recinto integrado por uma tenda e gazebos beduínos (de tribos africanas). A iluminação nas mesas é indireta, com velas, um charme a mais para o ambiente. Fogueiras e o ressôo dos batuques de grupos africanos que se apresentam no palco garantem a imersão total dos clientes.

Para ficar esperando do lado de fora, convidativos sofás. E se está frio, não tem problema. Além de tochas de fogo ardendo em pontos estratégicos do saguão, os garçons ainda disponibilizam cobertores macios para você se cobrir enquanto saboreia os pratos, que estão espalhados por diferentes estações ao redor das mesas e as quais você pode acessar quando quiser – o bufê se encerra às 23 horas.

Há estações exclusivas para saladas, outra para vegetais refogados, para carnes – incluindo carneiro e springbok, peixes e ensopados. E, claro, as sobremesas – entre elas o típico e irrecusável pudim de pão com baunilha ou com Amarula, já que estamos na África do Sul. Na saída, de estômago cheio, os visitantes ainda podem gastar mais alguns randes numa ampla loja de artigos de artesanato, bem como CDs de músicos sul-africanos.

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De onde a Copa passou longe

9 Jul

Moradores de comunidade rural não contam com eletricidade em suas casas FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Direto de Swellendam

Para quem ficou no eixo das grandes cidades do mundial da Fifa, o clima de Copa foi evidente. Torcedores andando e faixas penduradas por todos os lados, parques movimentados, asfalto e estádios novos, ambulantes aproveitando a alta rotatividade de gente para lucrar, multidões procurando acomodação em hoteis. Entretanto, só mesmo andando pelas cercanias mais improváveis aos turistas para avaliar o impacto da competição na África do Sul por um prisma mais amplo.

Saindo de lugares como Cidade do Cabo, Joanesburgo ou Durban, por exemplo, e rodando quilômetros pelas rodovias do país, encontram-se incontáveis e pequenas comunidades rurais, em que Copa do Mundo não vai além de um campeonato que foi transmitido na TV e não traz perspectiva alguma de mudança. Uma pequena localidade em Eastern Cape – na rota entre a Cidade do Cabo e Port Elizabeth – ratifica essa assertiva.

Quando chegamos em Buffelsjagrivier, havia gente preparando o jantar: frango com purê de batata FOTO: Marcos Limonti

A apenas dez quilômetros de Swellendam, pacata cidade que é tida como o terceiro ponto de colonização européia da África do Sul, existe uma comunidade rural cujo nome original, Buffelsjagrivier, é bem complicado de dizer para os que não dominam o africâner, língua mais falada nessa região. Chegamos por volta das 18h30, quando já estava escurecendo. Paramos numa pequena propriedade, um mini-cluster com sete casas, em que moram cerca de 50 pessoas.

Na frente da residência principal, que é de concreto e é a única ali dentro com energia elétrica e televisão, havia um grupo de pessoas, todos negros, se aquecendo perto de uma fogueira. Eram membros da mesma família; avó, filha e netos. Mais ao fundo, mais gente combatendo o frio com fogo e lenha, em frente às residências de zinco, estilo shacks, que não contam com eletricidade. Um dos moradores preparava seu jantar, que era frango com purê de batata.

FOTO: Marcos Limonti

Calmo e bastante humilde, o endereço não tem uma vida econômica própria. A escola básica e o supermercado para completar a dispensa estão em Swellendam. É ali que fica a escola em que o filho de 8 anos da sul-africana Anne, 35, desempregada, estuda e joga bola. Segundo a entrevistada, que ainda tem mais uma criança de colo, aquele dia era aniversário do menino que acompanhou a Copa pela TV e apontava a Espanha como a seleção favorita ao título. E a festa de aniversário? “Não tenho dinheiro para hoje, talvez na semana que vem”, respondeu.

Demonstrando nenhum interesse pela Copa e até palpitando equivocadamente que o Brasil ia ganhar – mesmo tendo sido eliminado nas quartas-de-final –, Anne sentenciou o que representou o mundial da Fifa, num contexto geral, para a comunidade, local que ela conhece bem, já que foi criada lá e nunca saiu de lá. “Não vi a Copa do Mundo. Nada mudou aqui, talvez em outros lugares”.

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O “futebol” foi embora, mas o samba ficou

7 Jul

Com alegria e samba no pé, os brasileiros Esdras e Walace contagiaram torcedores no Green Point FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Direto da Cidade do Cabo

Se por uma série de fatores faltou alegria dentro de campo, sobrou do lado de fora. Os torcedores brasileiros deram uma lição de ânimo durante a semifinal entre Holanda e Uruguai, na Cidade do Cabo. Vencendo a tristeza de não ter a seleção brasileira entre os quatro melhores do mundial, os torcedores chamaram a atenção nos arredores do Green Point, onde Luis Fabiano e companhia deveriam estar jogando na noite de terça-feira, às 20h30 (15h30 no Brasil) se não tivessem perdido nas quartas de final para a Holanda de Robben.

Em meio a uma multidão de holandeses bastante otimistas, com direito a trajes peculiares e muitas vezes bizarros, e uruguaios em plena cantoria, o verde e o amarelo tiveram destaque especial. Eram muitos brasileiros que preferiram ver a partida e prestigiar futebol e em vez de vender o ingresso. E revender tíquetes na porta do estádio estava bem complicado, mesmo para quem abaixou o preço. Se por um lado a polícia estava de marcação cerrada em cambistas e negociadores de última hora, quem tentou vender enfrentou o problema da alta oferta. Assim como nas quartas entre Brasil e Holanda, em Port Elizabeth, havia muitos ingressos disponíveis – duas horas antes do jogo, no site da Fifa ainda havia entradas para as categorias 1 e 2.

Dia de festa para os holandeses, que abusaram da criatividade para apoiar sua seleção FOTO: Marcos Limonti

O marcante samba, bem ao clima de “o show tem que continuar”, foi o centro das atenções em uma das entradas do estádio. Todo mundo parou para ver e ouvir brasileiros conduzindo tambores e um conjunto de tamborins, além de letras tupiniquins conhecidas. Eram os amigos Walace Menezes, 50, e Esdras Macedo, 44, que apesar da derrota de nossos jogadores esbanjavam entusiasmo. Até parecia que o Brasil ia jogar.

Com seus instrumentos de percussão, embalaram muitos estrangeiros, inclusive holandeses – não há nada mais engraçado do que ver gringo tentando sambar. “Queria ver o Brasil aqui jogando contra o Uruguai, mas de qualquer modo estamos aqui representando o Brasil. Estamos aqui pelo esporte”, afirma Walace, que é consultor de informática e veio de Goiânia.

Os torcedores uruguaios chegaram otimistas e tiveram esperanças até o apito final da partida FOTO: Marcos Limonti

Ele, que portava um tambor com um símbolo da Gaviões da Fiel e não parava um minuto, e seu cunhado Esdras, que é autônomo e mora em Recife, chegaram à África do Sul no dia 2 de junho. Os dois viram todos os jogos da seleção brasileira, bem como o jogo de abertura entre África do Sul e México, no Soccer City, em Joanesburgo. Em todos eles, eles contam ter entrado com ingressos comprados na porta – motivo pelo qual os fazem acreditar que vão ver a final dentro do estádio, mesmo sem ainda garantir entradas.

Em todas as partidas, Esdras garante ter conseguido entrar com sua percussão, feita com oito tamborins que são tocados ao mesmo tempo e que ele apelidou de “gambiarra”. O autônomo e o consultor já viram sete Copas in loco. “A Copa da África do Sul é surpreendente, maravilhosa. O calor humano parece com o do Brasil”, complementa o recifense, bastante feliz com a hospitalidade do povo africano nas últimas semanas.

Festa do futebol

Holandeses agora estão em clima de expectativa para a final, que pode trazer o primeiro título mundial do país FOTO: Marcos Limonti

 

A vitória por 3 a 2 da Holanda sobre o Uruguai foi uma verdadeira festa do futebol. Se dentro de campo as equipes se esforçaram e esbanjaram determinação para os 62 mil espectadores - inclusive com os uruguaios tentando o empate até o último minuto -, do lado de fora o clima de Copa do Mundo era dos melhores.

A partida com ingressos de sobra lotou os arredores do Green Point. Por conta do elevado número de pessoas circulando entre o estádio e a Waterfront, que concentra bares e restaurantes, a polícia teve trabalho para controlar o trânsito.  Após a partida, o tráfego de veículos ficou lento – demoramos 30 minutos para sair do congestionamento.

Um dos lances mais violentos da partida foi quando o uruguaio Martin Caceres acertou a cabeça do holandês Demy Dzeeuw FOTO: Marcos Limonti

Em número, os holandeses eram superiores, que chamaram a atenção com suas roupas e fantasias laranjas. Mas os uruguaios não deixaram por menos e entoaram o canto ”Voltaremos, voltaremos, voltaremos outra vez. Voltaremos a ser campeões, como na primeira vez”, remetendo ao título mundial conquistado em 1930 – lembrando que o Uruguai é bicampeão mundial.

Quem não tinha ingresso para entrar no estádio, não teve problemas. A Waterfront garantiu que os fãs do futebol sem ingresso acompanhassem a partida e ainda assim sentir todo o clima da decisão. O principal ponto de exibição foi um telão instalado num palco aberto onde geralmente se apresentam bandas locais. Restaurantes, bares e cafeterias também ficaram com mesas cheias. No La Playa Café, onde a reportagem viu o jogo, havia muitos torcedores sulafricanos conferindo a semifinal – eles que evidentemente apoiavam os holandeses, já que o Uruguai foi pivô da eliminação dos Bafana Bafana na primeira fase.

Muito nervosismo entre uruguaios, principalmente nos minutos finais do jogo, quando o time chegou a marcar o segundo gol e ainda buscava o empate FOTO: Marcos Limonti

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Futebol além da Copa do Mundo

6 Jul

Partida entre Brasil e Manchester estava disputada na comunidade visitada pela reportagem FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Direto de Plettenburg

Podem até dizer que a África do Sul é o país do rúgbi. Mas quando se entra em comunidades pobres como uma favela de Plettenburg Bay – cidade localizada no meio da Garden Route – é que se ratifica a vibração que causa o esporte de Pelé na vida dos sul-africanos. Só assim se consegue entender que o frustrado sonho dos Bafana Bafana no mundial da Fifa – que não passou da primeira fase – não é um absurdo nem descontextualizado, que futebol é sim uma modalidade querida por aqui.

Eram mais de quatro da tarde de domingo. Ao lado da rodovia N2, que nos levava à Cidade do Cabo, vimos uma cena familiar. Uma partida de futebol entre dois times locais, uma típica movimentação de várzea. E o jogo parecia disputado. Entramos pra ver. Pelo fato de o acesso ao campo estar cercado por grandes grades, de modo a isolar o lugar, tivemos que utilizar um estreito e esburacado pedaço de terra até chegar lá.

Futebol é a principal atração da localidade aos finais de semana FOTO: Marcos Limonti

Para quebrar o gelo, já cheguei me apresentando e perguntando quanto estava a partida, já no segundo tempo. O resultado até então era de quatro a dois para o Manchester, de vermelho, contra o Brasil, de amarelo (a camisa era um intermediário do uniforme da seleção com o da África do Sul). Isso porque o Manchester tinha jogado todo o primeiro tempo tendo a seu favor a inclinação do terreno – o campo de terra não era tão plano assim e continha incontáveis buracos. Na segunda etapa, o Brasil conseguiu empatar e levar o jogo para a decisão dos pênaltis – não se tratava de nenhum campeonato; a disputa apenas se tratava de um requisito para determinar o vencedor.

Improviso está em detalhes importantes como as traves. O campo é de terra batida e com uma inclinação FOTO: Marcos Limonti

Os times que se enfrentavam eram compostos por 22 jogadores entre 18 e 21 anos, todos procurando a sorte no esporte e na esperança de encontrar algum patrocinador – fui várias vezes interpelado como um possível candidato. Com uma camisa de mangas com listras brancas e azuis, estilo Argentina, Daniels, o goleiro que garantiu duas defesas nos pênaltis e a vitória do Manchester, alegou que há mais de um ano vem procurando apoio. Segundo ele, o uniforme que eles usam, providenciado a muito custo por um dos jogadores, é sempre o mesmo em toda partida.

Enquanto isso, moradores da favela – que segundo fontes locais tem mais de 50 mil habitantes – só acompanhavam. Na platéia, também havia dezenas de crianças brincando com suas bolas de tênis, para fazer embaixadas. Até cachorro e galinha resolveram parar pra assistir.

Os amistosos são o lazer de muita gente quando não tem jogo na TV FOTO: Marcos Limonti

Cercado por casas feitas com ripas de madeira – e não de zinco, como tínhamos visto em outros lugares antes –, o campo de futebol é atração fácil e talvez única da vizinhança aos fins de semana, quando costumam acontecer os jogos. “Quando não tem jogo na TV, vejo as partidas de futebol daqui”, afirmou o sul-africano Patrick, que estava com mais dois vizinhos observando o clássico. Patrick mora em Plettenburg, mas nasceu na região de Port Elizabeth.

O pedaço de Plettenburg Bay visitado por nós não era uma township como Soweto, em Joanesburgo, e Khayelitsha, na Cidade do Cabo. Além de ser incomparavelmente menor, surgiu bem depois, na década de 1980, sendo fundado onde antes ficava uma fazenda. Se em tese não se relaciona diretamente com o apartheid, acaba tornando-se retrato de uma realidade sul-africana muito próxima da brasileira. A pobreza está ali, ao lado da rodovia, enquanto se vê no horizonte, não tão longe assim, um condomínio de casas de alto padrão. O contraste aqui está frente a frente, só esperando para ser visto.

A comunidade visitada pela reportagem tem mais de 50 mil habitantes e surgiu na década de 1980 FOTO: Marcos Limonti

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Rota de boas surpresas

4 Jul

Menino brinca com a bola em uma comunidade da cidade de Plettenburg, que no meio do caminho entre Port Elizabeth e Cidade do Cabo FOTO: Marcos Limonti

Por Rodolfo Tiengo

Direto da África do Sul

Um carro, uma estrada e um muitas surpresas pelo caminho. Após alguns dias trocando de hotel em Port Elizabeth e ver o Brasil perder nas quartas-de-final da Copa, nada melhor e mais oportuno que dirigir pela Garden Route, que integra a rodovia N2 e liga Port Elizabeth à Cidade do Cabo.

Um caminho repleto de belezas entre montanha e mar, bem como curiosidades que valem a viagem. A bordo do nosso pequeno Hyundai Atos 1.0, a reportagem saiu no início da tarde do domingo pelo trajeto rumo à Cidade do Cabo, onde o Brasil jogaria às semifinais. Após um dia inteiro, paramos para descansar na pacata George, cidade com pouco mais de 200 mil habitantes que hospedou a seleção do Japão durante a primeira fase do mundial e local onde mais de 90% da população miscigenada (coloured people) tem como primeira língua o africâner – entre os brancos, por aqui, 50% falam o idioma de influência holandesa.

Estrada da Garden Route conduz os viajantes por paisagens muito bonitas de Western Cape FOTO: Marcos Limonti

Antes de chegar à nossa parada final do domingo, conferimos a razão pela qual todo mundo recomenda trafegar por essas pistas. A vegetação que se transforma em quilômetros percorridos, de arbustos coloridos a pinheiros, a vista das montanhas que já caracterizam Western Cape, as fazendas com criação de vacas e vinícolas e até os babuínos caminhando pelo acostamento. Sem contar a alta disponibilidade de hotéis B+B (cama e café-da-manhã), sempre bem sinalizados, e a qualidade do asfalto – ainda que em pista simples na maior parte das vezes – e com apenas um pedágio de 33 randes (pelo menos até agora).

Nossa primeira parte do percurso – que continuamos nesta segunda-feira para a Cidade do Cabo – contou com passagens pela Stormsriver Bridge – uma ponte histórica e com uma vista maravilhosa para um desfiladeiro de pedras – e, 20 quilômetros adiante, o enorme viaduto que guarda o maior bungee jump do mundo, com 216 metros de queda. Para saltar do local é preciso fazer reserva com antecedência.

Comunidade pobre de Plettenburg fica ao lado da rodovia. Futebol é a principal diversão dos moradores aos finais de semana FOTO: Marcos Limonti

Em Plettenburg Bay, antes de seguir nosso destino, adentramos uma pequena comunidade pobre onde jovens entre 18 e 21 anos disputavam uma partida de futebol. Era Brasil (de amarelo) contra Manchester (de vermelho), com vitória do Manchester e muitas crianças ao redor acompanhando. Por fim, vimos o pôr-do-sol da pequena Knysna, onde famílias faziam um churrasco ao ar livre, e dirigimos até George, afinal ninguém é de ferro.

Ao fim de um dia cansativo como esse, dá pra sentir que a África do Sul é muito mais do que os afamados cartões postais. Fazer turismo neste solo representa também desvendar as simplicidades escondidas em cada cercania, sempre sendo bem recebido com um cordial ayoba e um sorriso dos irmãos sul-africanos.

Em Knysna, famílias utilizam um parque para fazer churrasco, o chamado "braai" em africâner, aos domingos FOTO: Marcos Limonti

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Sem documento, mas com muito jogo de cintura

4 Jul

O comerciante Kenneth, 23, em Port Elizabeth. Quase não concedeu entrevista porque estava muito ocupado atrás dos clientes FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Enviado especial à África do Sul

Numa importante avenida em Port Elizabeth ou Durban, em uma vinícola próxima à Cidade do Cabo ou em um grande cruzamento em Joanesburgo. O trabalho informal está espalhado pelo país da Copa. O maior evento futebolístico do planeta tem deixado esse setor ainda mais movimentado, uma atividade em que estão desde os imigrantes que buscam uma vida melhor na África do Sul quanto os sul-africanos, que vêem no mundial da Fifa uma oportunidade única.

Algo que se traduz em muita criatividade: venda de roupas – inclusive camisas de seleções a preços bem abaixo do esperado –, acessórios, artesanato, jornais, apresentações musicais e demonstração de diferentes habilidades artísticas.

Os torcedores brasileiros ainda estavam bastante agitados no calçadão da First Avenue, em Port Elizabeth, em frente ao The Bordwalk, um complexo de entretenimento com restaurantes, músicos locais e cassino. Aproveitando a grande concentração de pessoas para a partida das quartas-de-final – que logo mais o Brasil perderia para a Holanda –, estavam ambulantes oferecendo diferentes produtos.

O estudante universitário Tshidino, 21, tinha começado o trabalho ambulante no dia do jogo entre Brasil e Holanda FOTO: Marcos Limonti

Bandeiras a 30 randes (R$ 6,89), vuvuzelas e chapéus amarelos a 50 randes (R$ 11,47). Ofertando esses artigos, o autônomo sul-africano Kenneth, 23, quase não concedeu entrevista. Disse que estava muito ocupado tentando achar clientes. Porém não hesitou em conversou um pouco com a reportagem. “Trabalho para meu irmão. Comecei o negócio no início da Copa do Mundo”, disse, estimando que esteja recebendo por dia em média 500 randes (R$ 114,70).

Trabalhando na mesma região tinha até um universitário. Tshidino, 21 anos, estudante de Tecnologia da Informação da Universidade Metropolitana Nelson Mandela, de Port Elizabeth, tinha começado a atividade de ambulante naquele dia. Ele vendia cachecóis bordados com as cores da África do Sul a 40 randes (R$ 9,17), protetores de celulares em forma de camisetas a 20 randes (R$ 4,6) e chaveiros por 10 randes (R$ 2,3). “Comecei agora por causa do jogo do Brasil contra a Holanda”, afirmou. Quanto à realização da Copa na África, ele ficou meio dividido. “Por um lado é bom, por outro não. O que é bom tem a ver com as oportunidades e com a infraestrutura do país”, opinou, titubeando para criticar o que viu de negativo até agora.

FOTO: Marcos Limonti

Imigrantes na informalidade

Atraídos pela prosperidade econômica e pela institucionalização da democracia na África do Sul desde os anos 1990, imigrantes de diferentes países do continente acabam vindo buscar a vida na terra de Nelson Mandela. Integrando 10% da população do país – entre legais e ilegais –, encontram no trabalho informal a saída mais rápida para o desemprego.

É gente de países subdesenvolvidos como Camarões, Congo, Malawi, Moçambique, Nigéria, Zimbábue, entre outros, se arriscando em diferentes ofícios e enfrentando o ressentimento do país do apartheid – nos últimos anos, a xenofobia dos sul-africanos já desencadeou vários episódios em que imigrantes foram agredidos e sofreram tentativas de expulsão.

FOTO: Marcos Limonti

“Se a África do Sul precisar da ajuda dos outros países africanos, num futuro próximo, não vai ter”, sentencia o moçambicano Chicco Mandhlazi, 31 anos, que faz estampas especiais em camisetas e aproveitou o grande número de visitantes na Copa também para atuar como guia turístico em Soweto, Joanesburgo, onde vive há 15 anos. O moçambicano mora em uma típica shack (cabana de zinco) sem banheiro. Chicco perdeu a mãe recentemente, mas ainda não tem dinheiro suficiente para voltar a seu país e velar o corpo dela.

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Um sorriso que valeu a Copa

3 Jul

Mais de 40 mil torcedores acompanharam a vitória da Holanda de dentro do estádio Nelson Mandela Bay. FOTO: Marcos Limonti

Por Marcos Limonti

Sexta-feira, 2 de julho de 2010, ficará marcada para sempre porque nunca antes me senti tão feliz. Calma não estou feliz com a eliminação do Brasil, mas com algo que vai muito além de futebol.

Quando cheguei ao Estádio Nelson Mandela Bay, na tarde de sexta, para acompanhar o jogo entre Brasil e Holanda, estava com um ingresso sobrando. Muitas pessoas tentavam vender alguns ingressos na porta do estádio também, mas como não gosto de ser igual aos outros, pensei em fazer algo diferente. Procurei por alguma criança que queria assistir ao jogo.

Logo avistei um garoto cabisbaixo, encostado no alambrado do estádio. Perguntei se gostava de futebol e com um sorriso no rosto balançou a cabeça positivamente. Para minha surpresa, quando perguntei se queria um ingresso para assistir ao jogo, disse que não podia, precisava trabalhar. Sem entender, perguntei o porquê novamente. “Eu tenho que tocar na banda. Minha mãe precisa de dinheiro”, explicou.

Abaixei a cabeça e sai indignado. Aquela criança sul-africana, que aparentava ter apenas uns 12 anos, tocava em uma banda que se apresentava na porta do estádio na espera de algumas esmolas.

Voltando a caminhar em torno do estádio na procura de alguém para doar o ingresso, fui informado que tinha cambista rasgando ingresso por não ter conseguido vender. Faltavam poucos minutos para o início do jogo, a adrenalina já subia e foi quando encontrei um jovem sul-africano sentado na calçada.

Novamente fiz a mesma pergunta: “Do you like soccer?” E ele respondeu. “Sim, mas é claro.” Ficamos conversando uns dez minutos antes do grande momento do dia, quando perguntei se queria assistir ao jogo de dentro do estádio. Disse que gostaria, e muito, de ver a seleção brasileira jogar no estádio que fica a poucos metros de sua casa.

Mesmo com o alto valor dos ingressos para segunda fase, alguns africanos foram ao estádio torcer pela seleção. FOTO: Marcos Limonti

Era um sonho para ele e não pensei duas vezes. Saquei o ingresso do bolso e coloquei na mão dele. Os olhos do jovem brilharam, o rosto triste logo deu lugar a um belo sorriso. Ele nem sabia como agradecer. “Vamos entrar. O jogo já vai começar”, disse a ele, que logo saiu correndo para multidão de torcedores que esperavam na fila para passar pelas catracas.

Na hora fiquei sem entender. Ele foi passando por todos até chegar à catraca. Olhou para o guarda, sorriu e entregou o ingresso. Foi a última vez que o vi. Queria ter tirando uma foto dele, mas não deu tempo. Sua felicidade foi tão grande que correu para dentro do estádio sem mesmo eu ter feito um clic. Perdi uma foto que para mim seria muito importante, mas ganhei algo que ninguém me tira.

A eliminação do Brasil um dia vai passar. Em 2014 temos outra Copa, mas este sentimento que tive ontem ficará marcado para o resto da minha vida.

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Lágrimas em Port Elizabeth

2 Jul

Keanan, 11, chora com o pai no Nelsonm Mandela Bay. Sul-africanos também choraram a eliminação brasileira na Copa FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Direto de Port Elizabeth

Keanan, 11 anos, sul-africano. Com uma vuvuzela nas mãos e sem tocar, vestindo uma camisa do Brasil e acumulando lágrimas nos olhos, ele lamentou com a mais profunda e sincera tristeza a derrota da seleção de Dunga para os holandeses, por 2 a 1, no Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth. Amparada por seu pai, Ricardo que é sul-africano também e cujos pais viveram no Brasil, a criança ficou nas arquibancadas até depois do jogo, olhando desconsolada para o gramado vazio.

Placar eletrônico do estádio Nelson Mandela Bay apôs o jogo da eliminação da Seleção. FOTO: Marcos Limonti

A tristeza do país da Copa para a eliminação do Brasil nas quartas-de-final ficou estampada em rostos africanos como o de Keanan, além dos muitos brasileiros que estiveram entre os mais de 40 mil torcedores no palco da desclassificação. Mas brasileiro que é brasileiro gosta de mostrar que não perdeu a batalha para a tristeza. Enquanto o menino chorava, um grupo de torcedores, com instrumentos de percussão e saxofone, fazia músicas nacionais ecoarem pelo estádio vazio – o fotógrafo Marcos Limonti ainda flagrou uma torcedora brasileira aos prantos no meio do agito. Eles permaneceram ali até serem convidados a se retirar pelos policiais.

Nesse contexto de brasileiros tristes e também inconformados, o nome do técnico da seleção não ficou bem. Havia torcedores gritando “Adeus Dunga”, só pelo ato do protesto. Tanta revolta que já até repercutiu na rede. A comunidade “Dunga, a Vergonha” foi criada no Orkut minutos após a eliminação.

Sem marcar na Copa, Kaká saiu de campo desconsolado. Hora de voltar pra casa.. FOTO: Marcos Limonti

Se a derrota foi avassaladora, pelo menos podemos dizer que vimos um clássico mundial de um ponto muito privilegiado. Sentamos na categoria 1, bem perto dos jogadores. Ficamos no centro do campo, logo atrás do banco de reservas do técnico brasileiro, que quando ficava nervoso socava o acrílico que cobre o local.

Ver de perto uma partida como essa, com tantas emoções, me deixou com o coração disparado e perdi a conta de quantas vezes gritei com os jogadores e, claro, com o juiz. Até o último minuto, eu, assim como os outros torcedores, ainda  tínhamos alguma esperança, mas já era tarde. Senti até que o árbitro deu uma ajuda com um tempo extra, mas foi em vão.  O Brasil começou bem, com um primeiro tempo exemplar, em 1 a 0. Mas parece que a equipe já entrou desmotivada em campo na segunda etapa, ânimos que ficaram prejudicados com o primeiro gol da Holanda e com as investidas de Robben.

Hexa a vista? Agora só em 2014... FOTO: Marcos Limonti

Confira mais nas páginas do Comércio da Franca.

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De Gauteng ao Cabo Leste

1 Jul

Um belo pôr-do-sol iluminou nosso caminho rumo a Bloemfontein, na primeira parte de nossa viagem FOTO: Marcos Limonti

Rodolfo Tiengo

Direto de Porto Elizabeth

Dois dias de muitas paradas e paisagens diferentes e mais de mil quilômetros rodados de carro entre a província de Gauteng e o Cabo Leste. A reportagem finalmente chegou a Porto Elizabeth, onde o Brasil vai disputar as quartas-de-final contra a Holanda, na próxima sexta-feira, dia 2 de julho. Na quarta-feira, saímos de Bloemfontein às 13 horas para uma viagem de aproximadamente oito horas, incluindo a pausa para abastecer, almoçar e esticar as pernas. No percurso, vimos muitos ônibus repletos de torcedores de olho na partida que acontece na sexta-feira.

Diferente da rodovia que utilizamos entre Joanesburgo e Bloemfontein, com pedágios e pista dupla, o trajeto que nos trouxe até aqui foi um pouco mais precário. A maior parte dos 670 quilômetros que separam as duas cidades-sede da Copa, distribuídos pelas rodovias N1, N9 e N10, são de pista simples sem pedágio, com muitos trechos em obras e asfalto remendado. Tivemos que parar por pelo menos três ocasiões diferentes, esperando que o fluxo de veículos no sentido oposto passasse.

Pista simples e uma infinidade de caminhões e ônibus caracterizaram nosso viagem entre Bloemfontein e Porto Elizabeth FOTO: Marcos Limonti

Além disso, os torcedores brasileiros que estão vindo de carro para Porto Elizabeth enfrentam um tráfego repleto de caminhões de carga por toda a extensão do percurso, que é repleto de placas alertando para a presença de animais selvagens que podem cruzar a estrada e ainda o risco de pedras rolarem pelas encostas, especialmente quando se está a menos de 100 quilômetros de Porto Elizabeth – o último trecho é cheio de curvas e de alguns declives que exigem um pouco mais do automóvel.

De qualquer modo, para quem deixa para trás a gigante Joanesburgo, viajar de carro por essas bandas é um passeio que vale a pena. A planície é complementada por conjuntos de formações rochosas e diferentes vegetações, como os cactos que vimos na altura de Colesberg – a 440 quilômetros de Porto Elizabeth – e arbustos, morada perfeita para os dassies (uma espécie de roedor). O toque final da paisagem se dá com cata-ventos em grandes propriedades rurais com muito gado pastando e ferrovias.

O caminho reserva também boas surpresas, como a pequena cidade de Middelburg, já em Eastern Cape, bastante bucólica e com pequenos hotéis três estrelas para viajantes. Por lá a reportagem parou para almoçar por volta das quatro da tarde no Green Lemon. É um autêntico restaurante de cidade pequena, com comida da boa por um preço bem barato. Uma panqueca italiana, por exemplo, com um recheio de carne muito saboroso, custava 28 randes e um capuccino com chantili era 14 randes.

Já era noite e ainda estávamos na estrada na quarta-feira. Viagem até Porto Elizabeth, partindo de Bloemfontein, durou oito horas e meia FOTO: Marcos Limonti

Primeiras impressões

Depois de tanto rodar, a primeira impressão que a reportagem teve de Porto Elizabeth é de que o lugar é desenvolvido e marcado pela atividade portuária. Impressionante também é o Nelson Mandela Bay, estádio oficial da Copa com capacidade para 48 mil pessoas e uma arquitetura invejável – com projeto tão original quanto o de Durban.

Na chegada também vimos que os hotéis de Porto Elizabeth estão lotados e que conseguir acomodação por aqui nos próximos dias é uma tarefa bastante complicada. Como viemos sem reserva em hotel, procuramos em vários e estavam todos com quartos ocupados. Conseguimos um quarto de última hora, porém provisório, já que a parti desta quinta-feira já está reservado.

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